 |
 |
 |
Ai de ti, que edificas com sangue a cidade. A violência te cobrirá, por causa do sangue humano derramado e por causa da violência feita ao país, à cidade e a todos os seus habitantes.Hab 2,12a;17 |
 |
 |
O termo bárbaro era empregado de início, pelos gregos e romanos, para referir-se a todos os estrangeiros. Contudo, tomou depois o sentido do que não é civilizado, do que é inculto, do que combate toda e qualquer manifestação de cultura.
A História nos relata que houve muitas invasões horizontais de bárbaros; ou seja, invasões que se processaram com maior lentidão ou não, maior rapidez ou não, e que consistiram na penetração pacífica ou violenta de povos, que se deslocaram para as regiões habitadas por outros, impondo-lhes o seu poder ou pelo menos os seus costumes. Essa invasão não só se processa horizontalmente, mas também verticalmente, e penetra na cultura, solapando os seus fundamentos e preparando o caminho à corrupção mais fácil do ciclo cultural, como aconteceu no fim do império romano, e como começa a acontecer agora entre nós.
Os elementos ativos corruptores, guiados por uma inteligência de vontade maliciosa, sempre souberam aproveitar-se do barbarismo como instrumento para solapar a cultura. E hoje, mais do que nunca, manejam com uma habilidade de estarrecer, dispondo de meios capazes para tal, imprimindo ao trabalho corruptivo uma intensidade e um âmbito nunca atingidos em momento algum.
À exclamação dos romanos: barbaros extra muros! hoje podemos responder: barbaros intra muros!
Mário Ferreira dos Santos - Invasão Vertical dos Bárbaros (1967) |
 |
|
|
|
|
 |  |
 |
 |
 |
| Projeto Residência de Teatro |
|
|