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| Quinta-feira, 15
de fevereiro de 2001 |
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Oficinas
Culturais ampliam programação
São 402 vagas para sete projetos
teatrais, pela 1ª vez abrangendo a área infanto-juvenil
Guilherme Maranhão/AE
Dionísio Neto, autor de
'Antiga': oito horas diárias de ensaio | |
 | MARICI SALOMÃO Especial para o
Estado
As Oficinas Culturais Oswald de Andrade, no Bom Retiro, abrem hoje
inscrições para 31 oficinas com nomes conhecidos das artes cênicas
brasileiras, do dramaturgo Dionísio Neto ao diretor Roberto Lage. E o
melhor de tudo é que as oficinas, com de 402 vagas, são totalmente
gratuitas. A programação integra o Projeto Residência, da Secretaria de
Estado da Cultura, lançado em 98, e que tem oferecido seu apoio ao
desenvolvimento de projetos cênicos conectados à pesquisa e
experimentação. Desse apoio nasceram não só oficinas, mas os espetáculos
Não Escrevi Isto, dos Parlapatões, Patifes & Paspalhões, A Comédia do
Trabalho, da Cia. do Latão, Apocalipse 1,11, do diretor Antônio Araújo, e
Toda a Nudez Será Castigada, de Cibele Forjaz.
Neste ano, são sete os projetos contemplados com subsídios que giram
em torno de R$ 40 mil a R$ 60 mil, para pagamento dos profissionais de
cada núcleo: Antiga, de Dionísio Neto, com direção de Leonardo Medeiros;
Macbeth, de Shakespeare e direção de Robert McCrea; O Colecionador de
Crespúsculos, texto e direção de Vladimir Capella, Babilônia, de Reinaldo
Maia, com direção de Marco Antônio Rodrigues; Drácula, inspirado na obra
de Bram Stocker, com direção de Roberto Mallet; e Por dentro, com
dramaturgia coletiva dos atores, sob a direção de Roberto Lage, e Os
Sertões, do original de Euclides da Cunha e direção de Zé Celso.
"Em relação ao ano passado, o número de projetos Residência
triplicou", comenta Antônio Carlos de Moraes Sartini, diretor do
Departamento de Formação Cultural da Secretaria desde 1996. O mesmo
ocorreu com a verba destinada a eles, que passou de R$ 100 mil no ano
passado para R$ 300 mil em 2001. O departamento coordena as 13 Oficinas
Culturais existentes no Estado, promovendo anualmente 1.400 oficinas em
média, somadas as regulares, as de férias e as que se inserem nos Projetos
Residência. "Nosso objetivo não é produzir espetáculos - não somos um
departamento de produção, mas de formação cultural", salienta Sartini.
"Por isso, na Residência, o objetivo é facilitar o acesso à criação,
pesquisa e experimentação dos grupos."
Criação, pesquisa e experimentação: as três vertentes do Projeto
Residência do Teatro são possibilitadas pelo apoio financeiro a cada
grupo, em troca das oficinas abertas aos interessados, e pela oferta de
espaço fixo para ensaios, durante o período da residência, que tem duração
média de seis meses. "Nossa sala de ensaio é limpa e ampla", elogia o ator
e dramaturgo Dionísio Neto, responsável pela criação do texto da
"tragicomédia eletromística" Antiga, com a Cia. The Solitary Goats.
O autor de Perpétua e Opus Profundum terminou de escrever Antiga em
1998, mas diz que só agora pode dar ao texto o cuidado que merece. O mesmo
cuidado é destinado ao elenco, que está tendo aulas com a ex-bailarina da
Cia.
Deborah Colker, Luciana Brites. Ela vem do Rio a São Paulo para
ministrar aulas de ioga e preparação corporal. Neto ressalta que o grupo
pode dedicar oito horas diárias aos ensaios, uma vez que está sendo pago
"dignamente".
Os sete grupos selecionados desenvolvem um espectro variado de
pesquisas. O Residência contempla pela primeira vez ??concepções na área
infanto-juvenil, bem como a descentralização dos ensaios e das oficinas,
passando dois dos projetos para as Oficinas Amácio Mazzaropi, no Brás. As
pesquisas vão do "teatro dinâmico" da Cia. de Teatro Fábrica São Paulo ao
universo do clown da Cia. Folias d'Arte. Passam pela investigação de
técnicas dramáticas não realistas, culminando na escritura dramatúrgica
dos próprios atores (Cia. do Acaso). "A verba aos grupos representa uma
retaguarda financeira para que seus profissionais possam se desafogar de
tantos compromissos pela sobrevivência e se dedicar um pouco mais ao
trabalho de criação e pesquisa", atesta Valdir Rivaben, técnico de teatro
da Oswald de Andrade.
Para o diretor de teatro infanto-juvenil Vladimir Capella (Píramo e
Tisbe e Clarão nas Estrelas, entre outras peças), aprovado com o projeto O
Colecionador de Crepúsculos, a iniciativa da secretaria é de extrema
importância para os artistas de teatro. "Nós temos o sistema contra nós. E
se não é a luz definitiva, ao menos está permitindo que voltemos a
sonhar."
Capella vai mergulhar na obra do folclorista brasileiro Luís da Câmara
Cascudo, recuperando o universo de lendas brasileiras.
A oficina coordenada pelo diretor também vai caminhar na direção da
lenda.
"Ainda não sei como será o espetáculo, mas nascerá evidentemente da
maturação dessa pesquisa, com os participantes da oficina. O bom é que
eles não são posicionados como alunos numa sala de aula. Eles acompanham e
interferem no processo de criação do espetáculo desde o início", ressalta
Sartini. "Afinal, eles representam o potencial consumidor desses
espetáculos."
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