Em "Canto de Outono" após inúmeras experimentações tivemos de renunciar à idéia de compor uma trilha para o espetáculo; ficara claro que nada que fosse externo à peça e ao espaço cênico se incorporaria a ela.
Era necessário dar atenção às possibilidades sonoras que a própria cena oferecia através de adereços e outros objetos, ou simplesmente aproveitando os atores enquanto possíveis intérpretes e/ou executantes de canções e efeitos sonoros.
Dentro disso, fomos aos poucos identificando os pontos da peça que nos suscitavam a necessidade de sons ou música, para aí então sairmos em busca do material necessário, fosse este um adereço, ou uma canção medieval espanhola, ou um fragmento de uma cantata...
O resultado final foram algumas texturas sonoras usadas para trazer à cena sensações análogas às que encontramos em uma trilha, como: crescendo, diminuindo, tencionando, suspendendo, pontuando, etc. A estas intercalamos algumas canções como: Oy Comamos (de J.de la Encina), In Truitina (de Carl Orff) e outras, todas interpretadas pelo próprio elenco, em arranjos a várias vozes adaptados às nossas possibilidades, ou em solos à capela.